Cartão pré-pago e cartão virtual para compras online: MB NET, bancos e fintechs comparados

Para pagar online sem expor o cartão principal, há em Portugal três caminhos: um cartão virtual MB NET criado na app MB WAY (grátis, com limite e validade que define), um cartão pré-pago de um banco (8 € a 15 €/ano, carregado apenas com o dinheiro que quer gastar) ou um cartão de uma fintech como a Revolut, a Wise ou o N26 (cartões virtuais gratuitos, alguns descartáveis). Este guia — não confundir com os cartões SIM pré-pagos dos operadores — explica como funciona cada opção, quanto custa, que limites tem e que proteção legal existe quando algo corre mal numa compra na Temu, na Shein, no AliExpress ou em qualquer loja que ainda não conheça. Verificado a 1 de setembro de 2026.

Em resumo

  • Cartão virtual MB NET (via MB WAY): gratuito, criado em segundos na app, três modalidades (compra única, várias compras, pagamento recorrente), mínimo de 5 €. Precisa de um cartão de um banco português aderente.
  • Cartão pré-pago de banco: ActivoBank (0 €), Banco Montepio (8 €/ano, sem obrigar a conta bancária), Santander e Millennium bcp (cerca de 10 €/ano), CGD (12 € no 1.º ano), Novo Banco (15 €). Carrega-se na app, no homebanking ou no Multibanco.
  • Fintechs: Revolut (cartões virtuais e descartáveis gratuitos no plano Standard, IBAN português), Wise (cartão físico 7 € uma vez, até 3 cartões digitais), N26 (cartão virtual grátis, físico 10 €).
  • Sem conta bancária: paysafecard (vales de 10 € a 150 € vendidos nos CTT, Payshop e Worten) ou o pré-pago do Montepio.
  • Proteção: autenticação forte obrigatória nas compras online acima de 30 €, responsabilidade máxima de 50 € em pagamentos não autorizados (0 € se o banco não aplicou autenticação forte) e 14 dias para devolver compras online sem justificação.

Aviso: artigo informativo. Não constitui aconselhamento financeiro nem recomendação de qualquer produto ou instituição. Comissões e limites mudam — confirme sempre no preçário do emissor. Verificado a 1 de setembro de 2026.

Porque é que tanta gente procura um cartão “só para compras online”

A pergunta que mais recebemos nos guias do AliExpress, da Shein e da Temu é sempre a mesma: “é seguro meter aqui o meu cartão?”. A resposta honesta é que a loja pode ser fiável e mesmo assim não apetecer deixar o número do cartão principal guardado em meia dúzia de sites, em subscrições que se esquece de cancelar ou numa loja que viu pela primeira vez num anúncio.

Um cartão pré-pago ou virtual resolve isso por desenho: só tem o dinheiro que lá puser, tem um limite e uma validade que controla, e se os dados forem roubados o prejuízo máximo é o saldo do cartão — e mesmo esse está coberto pelas regras europeias de pagamentos, como veremos no fim.

Cartão virtual vs. cartão pré-pago: qual é a diferença?

Um cartão virtual é um número de cartão (com validade e CVV) gerado digitalmente e associado a uma conta ou a um cartão que já tem. Não existe fisicamente. O caso mais conhecido em Portugal é o MB NET: o dinheiro sai da sua conta normal, mas o comerciante só vê o número temporário.

Um cartão pré-pago é um cartão (físico, digital ou ambos) com saldo próprio: carrega-o com o valor que quer gastar e não está ligado ao saldo da conta à ordem. Alguns são emitidos por bancos aos seus clientes; outros, como o do Banco Montepio ou o paysafecard, não exigem sequer conta bancária. As fintechs (Revolut, Wise, N26) ficam a meio caminho: são contas próprias, com cartões físicos e virtuais, que muitas pessoas usam como “carteira” separada para compras online.

Cartão virtual MB NET: como funciona na app MB WAY

O MB NET nasceu como um serviço à parte (aderia-se no Multibanco e gerava-se o cartão no site mbnet.pt). Desde 2023 deixou de ser possível aderir dessa forma e, em 2026, o site mbnet.pt redireciona para o MB WAY: os cartões MB NET criam-se agora dentro da app MB WAY, na opção “Criar Cartão MB NET”. Precisa de ter na app um cartão de um banco aderente (ABANCA, ActivoBank, Banco CTT, Bankinter, BPI, CGD, Crédito Agrícola, Millennium bcp, Montepio, Novo Banco, Santander, entre outros) e um número de telemóvel português registado nesse banco.

Segundo as perguntas frequentes do MB WAY, “não existe qualquer custo para gerar cartões MB NET” — o custo, quando existe, depende de condições do banco emissor. Há três tipos de cartão:

Tipo de cartão MB NETPara quêValidade máximaLimite
Compra ÚnicaUma compra numa loja que não conhece2 mesesAté 4 transações, valor definido por si (mínimo 5 €)
Várias ComprasVárias compras num mesmo comerciante12 mesesValor total definido por si
Pagamento RecorrenteSubscrições (streaming, software, ginásio)12 mesesValor mensal definido por si
Fonte: perguntas frequentes MB WAY, consultadas a 1 de setembro de 2026. O limite diário de compras online no MB WAY é de 1.000 € por defeito e pode ser alterado na app até 10.000 €.

O cartão MB NET é um cartão virtual da rede internacional do cartão que lhe está associado (Visa ou Mastercard), por isso funciona em qualquer loja online que aceite cartões dessas redes — incluindo lojas estrangeiras. As páginas oficiais do MB WAY não referem integração com o Apple Pay ou o Google Pay: para pagamentos por aproximação, o MB WAY tem o seu próprio sistema NFC (Android e, desde o iOS 17.4, iPhone).

Cartões pré-pagos dos bancos portugueses

Nem todos os bancos ainda os emitem: o Banco CTT e o Crédito Agrícola já não têm cartão pré-pago para adultos nos preçários de 2026 (o CA mantém o GR8, recarregável, para jovens dos 13 aos 17 anos). Estes eram os disponíveis a 1 de setembro de 2026:

Banco / cartãoCusto anualCarregamentosPrecisa de conta no banco?Notas
ActivoBank — Visa Pré-Pago0 € (versão “Internacional”: 15 €)A partir de 5 €, na app ou no site; sem carregamentos obrigatóriosn/d na páginaCompras online e no estrangeiro; validação 3-D Secure na app; adicionável ao MB WAY
Banco Montepio — Cartão Pré-Pago8 €A partir de 10 €, até 1.500 € por carregamento; homebanking, app, SMS, Multibanco ou balcãoNão — “não obriga à abertura de qualquer conta bancária”3,75% em compras em moeda estrangeira; app própria
Santander — Cartão Pré-Pago Personalizado10 € + IS (validade 5 anos)App, NetBanco, balcão ou Multibanco; máximo 1.500 €/mês; saldo máximo 2.500 €Sim (conta à ordem no banco)Versão “Não Personalizado”: 10 € + IS uma só vez, 3 anos, entregue no balcão
Millennium bcp — Cartão Pré-Pago10,40 € (IS incluído)App, site ou MultibancoSimCompatível com Apple Pay, Google Pay, Samsung Pay e MB WAY
CGD — Cartão Caixa Pré-Pago12 € + IS no 1.º ano (15 € nos seguintes, segundo o preçário)5 € a 2.000 € por carregamento; grátis no Caixadirecta e no Multibanco, 1,92 € + IS ao balcãoSim (a partir dos 15 anos)Compatível com Apple Pay e Google Pay; 2% + 1% em compras fora do EEE
Novo Banco — Cartão Tipo15 € (grátis com Conta Pacote ou Conta Jovem)n/dn/d1,35% fora da zona euro (+2,5% fora da UE)
Fontes: páginas de produto e preçários dos bancos, 1 de setembro de 2026. IS = Imposto do Selo (4%). “n/d” = não indicado na página consultada.

Um pormenor que faz diferença nas compras em lojas chinesas: quase todos estes cartões cobram uma comissão de 2% a 4% — nalguns casos com um valor fixo adicional — quando a compra é processada em moeda estrangeira (dólares, por exemplo). Se a loja permitir pagar em euros, a comissão não se aplica — mas a taxa de câmbio da loja pode ser pior. É um daqueles casos em que vale a pena comparar os dois valores no momento do pagamento.

Revolut, Wise e N26: cartões virtuais e descartáveis

As fintechs tornaram-se, para muita gente, a “conta das compras online”. Não são pré-pagos no sentido clássico, mas o efeito é o mesmo: uma conta separada, com o saldo que lá puser, e cartões virtuais que se criam e apagam em segundos.

Revolut (plano Standard)WiseN26 (plano Standard)
Custo da conta0 €0 €0 €
Cartões virtuaisGratuitos; até 4 novos por 30 dias (20 no total). Cartão virtual descartável: os dados mudam depois de cada pagamento (até 5 pagamentos por 24 h)Até 3 cartões digitais em simultâneo; pode ser o primeiro cartão1 cartão virtual gratuito (cartões extra: 2,59 € cada)
Cartão físicoPrimeiro cartão gratuito; entrega standard 6,99 € (tabela de comissões de agosto de 2026)7 € uma única vez, sem anuidade10 € uma única vez
Multibanco / MB WAYSim: a Revolut emite um “cartão MB digital” para pagar referências Multibanco e usar no MB WAY; IBAN português desde julho de 2025n/dn/d
Levantamentos em eurosAté 200 € ou 5 levantamentos/mês, depois 2% (mín. 1 €)Até 250 €/mês, depois 2,69%2 gratuitos/mês
Garantia de depósitosSistema lituano (sucursal do Revolut Bank UAB), 100.000 €Não é banco: dinheiro salvaguardado, sem garantia de depósitosSistema alemão, 100.000 €
Fontes: tabelas de comissões e páginas de produto de cada entidade, 1 de setembro de 2026. A tabela de comissões da Revolut em vigor desde 25 de agosto de 2026 indica 6,99 € pela entrega standard do cartão físico; o preçário registado no Banco de Portugal a 18 de agosto indicava 0 € — confirme na app antes de pedir.

O cartão virtual descartável da Revolut é, tecnicamente, o mais parecido com um MB NET de compra única: cada pagamento gera um número novo, por isso um comerciante que guarde os dados fica com um cartão que já não existe. A diferença prática face ao MB NET está nos limites (que define por cartão na Revolut, e por cartão e por período no MB NET) e no facto de o dinheiro sair de uma conta separada em vez da conta à ordem principal.

Sem conta bancária: paysafecard e outras opções

O paysafecard é um vale pré-pago com um código de 16 dígitos, vendido em Portugal nos CTT, agentes Payshop, lojas Worten, postos BP e no Multibanco, em valores de 10 € a 150 €. Serve sobretudo para jogos, plataformas de streaming e algumas lojas online que o aceitem como método de pagamento; não é um cartão Visa/Mastercard, por isso não funciona em qualquer loja. Atenção às taxas de inatividade: a partir do 2.º mês, um código não utilizado paga 3 € por mês, e a conta “my paysafecard” cobra 5 €/mês a partir do 13.º mês sem uso. O reembolso de saldo custa 7,50 €.

Para quem não tem (ou não quer usar) conta bancária mas precisa de um cartão Visa ou Mastercard a sério, o cartão pré-pago do Banco Montepio é, entre os bancos consultados, o único que não obriga à abertura de conta. As contas Revolut, Wise e N26 são elas próprias contas — abrem-se online com documento de identificação em minutos, mas continuam a ser contas.

E o PayPal, o Apple Pay e o Google Pay?

O PayPal não é um cartão, mas cumpre a mesma função de intermediário: o comerciante nunca vê os dados do seu cartão ou conta. Em Portugal pode carregar a conta PayPal por transferência SEPA ou por referência Multibanco (segundo a ajuda oficial, a opção “Adicionar dinheiro através do Multibanco” demora até 3 dias úteis); o MB WAY não aparece nas páginas do PayPal como método de carregamento. A Proteção do Comprador permite abrir uma disputa até 180 dias depois do pagamento e prevê o reembolso do valor da compra e dos portes originais quando o artigo não chega ou é substancialmente diferente do anunciado — com exclusões (veículos, imóveis, criptoativos, artigos personalizados e pagamentos “entre amigos”).

O Apple Pay e o Google Pay também escondem o número real do cartão (usam um “token” por dispositivo) e, em 2026, estão disponíveis na maioria dos bancos portugueses: ActivoBank, BPI, Millennium bcp, Banco CTT, Montepio, Bankinter, CGD, Crédito Agrícola, Novo Banco, Santander, Unibanco, Wizink, moey!, Openbank, além da Revolut, da Wise e do N26 (listas oficiais da Apple e da Google, atualizadas em agosto de 2026). Quando a loja aceita estas carteiras no checkout, é uma forma simples de pagar sem escrever o número do cartão.

A proteção que já tem por lei (seja qual for o cartão)

  • Autenticação forte (3-D Secure): pelas regras europeias de pagamentos (PSD2), as compras online acima de 30 € exigem pelo menos dois fatores de autenticação — normalmente a confirmação na app do banco. É a janela que aparece “a mais” no fim do checkout e que muita gente confunde com um erro.
  • Pagamentos não autorizados: a responsabilidade do titular está limitada a 50 € — e é zero se não podia ter detetado a perda ou o roubo dos dados (cartão clonado, conta pirateada) ou se o banco não aplicou autenticação forte. Depois de comunicar ao banco, não responde por mais nada. Comunique rapidamente: o prazo geral para contestar um movimento não autorizado é de 13 meses.
  • Direito de livre resolução: nas compras online pode devolver o artigo no prazo de 14 dias a contar da receção, sem justificar (Decreto-Lei n.º 24/2014), e o vendedor tem 14 dias para reembolsar. Há exceções — artigos personalizados, produtos selados de higiene depois de abertos, conteúdos digitais já iniciados — e o custo de devolução pode ficar a seu cargo se o vendedor o indicar.
  • Vendedores fora da UE: estas regras protegem-no face ao seu banco (pagamentos não autorizados) em qualquer caso; o direito de devolução aplica-se a vendedores que vendam para a UE, mas fazê-lo cumprir a um vendedor na China é outra conversa — daí a utilidade das disputas do PayPal e dos sistemas de proteção das próprias plataformas.

O que comparar antes de escolher

Não há uma solução única — o cartão certo para uma compra de 12 € na Temu não é o mesmo que para uma subscrição anual de software. O que se pode comparar objetivamente:

  1. Custo fixo por ano (0 € a 15 €) e custo de carregamento.
  2. Comissão em moeda estrangeira (0% nas fintechs dentro dos limites; 2% a 4% nos cartões bancários).
  3. Controlo: pode definir limite por cartão, validade e apagar o cartão? (MB NET e Revolut: sim.)
  4. Onde é aceite: Visa/Mastercard virtual funciona em quase todo o lado; paysafecard só em comerciantes aderentes.
  5. Integração com o que já usa: MB WAY, Apple Pay, Google Pay, referências Multibanco.
  6. Onde está o dinheiro: banco português (fundo de garantia português), sucursal de banco estrangeiro (garantia do país de origem, 100.000 €) ou instituição de pagamento (salvaguarda, sem garantia de depósitos).

Perguntas frequentes

O cartão MB NET é gratuito?

Sim. Segundo as perguntas frequentes do MB WAY, não existe qualquer custo para gerar cartões MB NET na app; eventuais condições dependem do banco emissor do cartão que tem associado ao MB WAY. Precisa de um cartão de um banco aderente e de um número de telemóvel português registado nesse banco. O valor mínimo por cartão é de 5 €.

O MB NET ainda existe em 2026?

O serviço existe, mas mudou de casa: já não é possível aderir ao MB NET no Multibanco e o site mbnet.pt redireciona para o MB WAY. Os cartões virtuais MB NET criam-se agora dentro da app MB WAY (Compra Única, Várias Compras ou Pagamento Recorrente).

Existe cartão pré-pago sem conta bancária em Portugal?

Sim. O cartão pré-pago do Banco Montepio não obriga à abertura de conta bancária (8 € por ano, carregamentos a partir de 10 €). O paysafecard é um vale pré-pago vendido nos CTT, Payshop, Worten e Multibanco, mas só funciona em comerciantes que o aceitem. As contas Revolut, Wise e N26 abrem-se online em minutos, mas são elas próprias contas.

Posso usar um cartão pré-pago ou virtual na Temu, na Shein ou no AliExpress?

Os cartões pré-pagos dos bancos, os cartões MB NET e os cartões virtuais da Revolut, Wise e N26 são Visa ou Mastercard, por isso funcionam em qualquer loja online que aceite cartões dessas redes, incluindo lojas estrangeiras. Verifique a comissão de conversão de moeda do seu cartão se a compra for processada em dólares.

Qual é a diferença entre cartão virtual e cartão pré-pago?

O cartão virtual é um número de cartão digital ligado a uma conta ou cartão que já tem — o dinheiro sai dessa conta, mas o comerciante só vê o número temporário. O cartão pré-pago tem saldo próprio: só pode gastar o que carregou. As fintechs combinam os dois: uma conta separada com cartões virtuais.

Se me roubarem os dados do cartão, quanto posso perder?

Pelas regras europeias de pagamentos, a responsabilidade do titular por pagamentos não autorizados está limitada a 50 €, e é zero se não podia ter detetado a fraude (cartão clonado, dados roubados online) ou se o banco não aplicou autenticação forte. Depois de comunicar ao banco, não responde por movimentos posteriores. Contacte o banco de imediato e guarde os comprovativos.

O que é a autenticação forte (3-D Secure) nas compras online?

É a confirmação adicional — normalmente na app do banco, com PIN, biometria ou código — exigida pela diretiva europeia PSD2 para pagamentos online acima de 30 €. Combina pelo menos dois de três elementos: algo que sabe, algo que tem e algo que é. Sem ela, a responsabilidade por um pagamento fraudulento recai sobre o banco ou o comerciante, não sobre si.

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Fontes e metodologia

Valores e regras retirados, a 1 de setembro de 2026, das páginas oficiais e preçários de cada emissor e das fontes legais indicadas. Não recebemos compensação de nenhuma das entidades mencionadas por este artigo.

Este conteúdo é informativo e não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou recomendação de qualquer produto. Confirme sempre as condições junto do emissor. Última verificação: 1 de setembro de 2026.

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