Melhor eSIM para Viajar: Airalo, Holafly, Saily e as Operadoras Portuguesas Comparadas

Se vai viajar dentro da União Europeia, não precisa de comprar eSIM nenhum: o seu tarifário português já funciona lá sem custos adicionais — e, nas três maiores operadoras, isso inclui também o Reino Unido. O eSIM de viagem só faz sentido fora dessa zona: Suíça, Andorra, Turquia, Marrocos, Estados Unidos, Brasil, Japão, Tailândia. E mesmo aí, os pacotes de roaming das operadoras portuguesas costumam sair mais baratos por gigabyte do que a Airalo, a Holafly ou a Saily — a NOS vende 50 GB por 40 € para 47 países. Este guia explica quando compensa cada opção, o que “dados ilimitados” significa mesmo, e o erro de configuração que faz muita gente deixar de receber os SMS do banco a meio das férias. Verificado a 10 de setembro de 2026.

Em resumo

  • Na UE não compre nada. O regulamento de roaming (UE) 2022/612 mantém o “roam like at home” até 30 de junho de 2032. Usa o seu plafond português nos 27 países da UE, na Islândia, Noruega e Listenstaine, e desde 1 de janeiro de 2026 também na Ucrânia e na Moldávia.
  • O Reino Unido está incluído na MEO, na NOS e na Vodafone, por decisão comercial delas — não por lei. É o ponto que quase todos os artigos portugueses erram por causa do Brexit. As exclusões reais são a Suíça e Andorra.
  • Fora da UE, compare primeiro com a sua operadora. A NOS vende 50 GB por 30 dias a 40 € em 47 países; a Vodafone dava 15 GB por 10 € nos EUA no teste da DECO de junho de 2026. Nenhum eSIM de viagem se aproxima desses valores por gigabyte.
  • “Ilimitado” nunca é ilimitado. A Airalo corta a velocidade para 1 Mbps depois de 3 GB por dia e publica-o; a Saily faz o mesmo a partir de 3 a 5 GB conforme o destino; a Holafly não publica limite nenhum, nem sequer nos termos e condições.
  • Partilha de internet: a Airalo e a Saily permitem hotspot sem limite; a Holafly limita a partilha a 1 GB por dia. Se viaja em família e quer ligar o portátil, isto decide a escolha.
  • Nenhum eSIM de viagem lhe dá um número de telefone. São só dados. Os SMS do banco continuam a chegar ao seu número português — desde que mantenha o cartão português ativo para chamadas e SMS.

Primeiro: para onde vai?

Toda a decisão se resume a esta pergunta. A tabela abaixo poupa-lhe o resto do artigo.

DestinoPrecisa de eSIM?Porquê
União Europeia (27 países)NãoRoaming incluído no tarifário português, por lei
Islândia, Noruega, ListenstaineNãoEspaço Económico Europeu — mesma regra
Ucrânia e MoldáviaNãoIntegradas na zona desde 1 de janeiro de 2026
Reino UnidoNão, na MEO, NOS e VodafoneIncluído por decisão comercial das operadoras. Confirme no seu tarifário
Suíça e AndorraSim, ou pacote da operadoraExcluídas por todas as operadoras portuguesas. Sem pacote, custa uma fortuna
Turquia, Marrocos, Albânia, Sérvia, Bósnia, MontenegroSimFora da zona de roaming europeu
EUA, Canadá, Brasil, Japão, Tailândia, resto do mundoSimCompare eSIM com o pacote da sua operadora
Situação a 10 de setembro de 2026. As condições do Reino Unido são comerciais e podem mudar — confirme antes de viajar.

Na Europa, o roaming já está pago

Desde 2017 que um cartão português funciona no resto da União Europeia sem custos acrescidos. A regra atual vem do Regulamento (UE) 2022/612, em vigor desde 1 de julho de 2022 e válido até 30 de junho de 2032. Chamadas feitas, chamadas recebidas, SMS e dados descontam do plafond do seu tarifário português exatamente como se estivesse em Lisboa.

A zona abrange os 27 Estados-membros mais a Islândia, a Noruega e o Listenstaine, e desde 1 de janeiro de 2026 passou a incluir a Ucrânia e a Moldávia, por decisão do Conselho da UE de julho de 2025.

O Reino Unido: o que quase todos os artigos erram

Depois do Brexit, o Reino Unido saiu do regulamento europeu de roaming. A conclusão que se tira daí — “logo, usar o telemóvel em Londres passou a custar” — está errada em Portugal, e é fácil de verificar.

A folha de preços de roaming da MEO, em vigor desde 1 de janeiro de 2026, define a Zona 1 como “EEE + Reino Unido”, juntamente com a Ucrânia e a Moldávia. A página de roaming da Vodafone Portugal descreve a zona EEE como incluindo os países da UE mais o Reino Unido, a Islândia, o Listenstaine, a Noruega, a Moldávia e a Ucrânia. E um comparador independente confirma que a MEO, a NOS, a Vodafone e a NOWO listam todas o Reino Unido como destino sem sobretaxa.

Atenção: isto é uma decisão comercial das operadoras, não uma obrigação legal. Pode ser revertida com pré-aviso, e pode não se aplicar a tarifários muito antigos ou a marcas secundárias. Antes de viajar, confirme na área de cliente ou nas condições do seu tarifário — leva um minuto e evita uma fatura desagradável.

A Suíça é que é o problema

A Suíça e Andorra ficam de fora em todas as operadoras portuguesas, e são caras. Sem pacote, a Vodafone cobra a Suíça a 4 cêntimos por megabyte — cerca de 40 € por gigabyte. Vende um pacote específico de 5 GB por 12 € durante uma semana para a Suíça e de 10 GB por 20 € por semana para Andorra.

Para uma escapadinha a Genebra ou a Zurique, um eSIM regional europeu que inclua a Suíça, ou o pacote da operadora, poupam-lhe dezenas de euros. É o caso mais claro em que um eSIM compensa dentro da Europa geográfica.

O limite de utilização razoável, explicado com a conta feita

Há duas regras de utilização razoável que travam abusos, e vale a pena conhecê-las porque são mal explicadas em todo o lado.

A regra dos quatro meses. A operadora pode analisar uma janela de pelo menos quatro meses. Se, nesse período, tiver passado mais tempo no estrangeiro do que em Portugal e consumido mais em roaming do que em casa, pode avisá-lo e, se nada mudar em duas semanas, começar a cobrar sobretaxas. Serve para impedir que alguém viva permanentemente noutro país com um cartão português — não afeta férias nem viagens de trabalho.

O limite de volume de dados. Só pode ser aplicado a tarifários ilimitados ou a tarifários com muitos dados por pouco dinheiro. O volume mínimo que a operadora é obrigada a dar-lhe em roaming calcula-se assim:

GB em roaming = 2 × (preço mensal sem IVA ÷ 1,10 €)

Exemplo com um tarifário de 15 € por mês (12,20 € sem IVA): 2 × (12,20 ÷ 1,10) ≈ 22 GB de dados garantidos em roaming europeu. Se o seu plafond nacional for menor do que isto, leva-o inteiro para o estrangeiro.

O divisor é o preço grossista máximo regulado, que desce todos os anos: 1,55 € em 2024, 1,30 € em 2025, 1,10 € em 2026 e 1,00 € de 2027 a 2032.

Um pormenor revelador: a própria página de consumidor da União Europeia em português ainda indica 1,30 €/GB, que é o valor de 2025, apesar de a página dizer que foi atualizada em janeiro de 2026. Quem confirma o valor certo é a folha de preços da MEO de 1 de janeiro de 2026, onde a sobretaxa de dados aparece a 0,0014 €/MB com IVA — exatamente 1,10 €/GB acrescido de IVA. Se ultrapassar o limite, as sobretaxas máximas em 2026 são de 1,10 €/GB de dados, 0,019 € por minuto de chamada e 0,003 € por SMS, sem IVA. Chamadas e SMS recebidos continuam gratuitos.

Existe ainda uma rede de segurança contra faturas-surpresa: por defeito, o consumo de dados em roaming é cortado aos 50 € por mês (pode subir para 100 € ou desativar), com um alerta aos 80% do limite.

Fora da Europa: a sua operadora provavelmente ganha

Esta é a parte que os sites de eSIM não lhe vão dizer. Antes de comprar um eSIM para os Estados Unidos ou para o Brasil, veja quanto custa o pacote de roaming da sua operadora — porque em volumes normais de viagem costuma ser mais barato.

A DECO PROteste comparou as duas coisas em junho de 2026, para uma viagem de 15 dias aos Estados Unidos:

SoluçãoPreçoDados€ por GB
Vodafone — Roaming Automático10 €15 GB0,67 €
MEO — Net Roaming (Grupo 3)10 €10 GB1,00 €
NOS — Net Roaming30 €10 GB3,00 €
N26 (eSIM do banco)12,99 €10 GB / 30 dias1,30 €
Revolut (eSIM do banco)19,49 €10 GB / 30 dias1,95 €
Airalo20,50 €10 GB / 30 dias2,05 €
Holafly45,95 €25 GB / 30 dias1,84 €
Fonte: DECO PROteste, “Roaming fora da Europa: qual a melhor solução?”, 25 de junho de 2026. Preços em euros à data do teste.

Duas conclusões saltam à vista. A primeira: o pacote da Vodafone dá mais dados por menos dinheiro do que qualquer eSIM de viagem da tabela. A segunda, mais inesperada: os eSIM incluídos nas contas do N26 e da Revolut ficam à frente da Airalo e da Holafly. Se já é cliente de um destes bancos, veja lá antes de ir a outro lado.

E há uma oferta que a DECO não incluiu e que é a mais competitiva que encontrámos: o Net Roaming da NOS de 50 GB por 30 dias, a 40 €, válido em mais de 47 países, incluindo Estados Unidos, Brasil, Turquia e Suíça. São 0,80 € por gigabyte, com o seu próprio número, chamadas e SMS a funcionar. A grelha completa da NOS:

  • 200 MB por 24 horas — 7,50 €, em mais de 100 países, renovação automática até 5 vezes por mês.
  • 1 GB por 8 dias — 10 € · 5 GB por 8 dias — 20 € · 10 GB por 15 dias — 30 € · 50 GB por 30 dias — 40 €, em mais de 47 países.
  • 1 GB por 15 dias — 15 € para Angola e Guiné-Bissau.
  • Os pacotes têm de ser ativados no prazo de 60 dias após a compra.

A Vodafone tem ainda a Tarifa Diária de Dados a 4,90 € por dia em mais de 50 países fora do EEE, cobrada apenas nos dias em que usa, e o Global Daily Roaming a 8 € por dia com 50 minutos, 50 SMS e 50 MB. Para uma viagem curta com pouco consumo, a tarifa diária pode ser a solução mais simples; para dez dias ou mais, sai cara e o pacote ganha.

Airalo, Holafly e Saily comparadas

Se decidiu que o eSIM compensa — porque vai para longe, por muito tempo, ou porque quer muitos dados —, estas são as três marcas que dominam o mercado. Todas vendem apenas dados: nenhuma lhe dá um número de telefone.

AiraloHolaflySaily
ModeloPacotes por GB e ilimitadosSó ilimitadosPacotes por GB e ilimitados
Limite diário publicado3 GB/dia, depois 1 MbpsNão publica3 a 5 GB/dia conforme destino, depois 1 Mbps
Partilha (hotspot)Sem limite1 GB por diaSem limite
RecargasSimNão aplicável (ilimitado)Sim
Europa: inclui Reino Unido?Sim no Eurolink (41 países), não no EUconnect (28)33 paísesSim (35 países)
Extras—1 GB mensal de reserva em 150+ paísesJanela de 180 dias para ativar; 3% de volta em créditos
Número de telefoneNãoNãoNão
Condições publicadas pelas três empresas, consultadas a 10 de setembro de 2026.

“Ilimitado” merece uma leitura atenta

As três vendem planos ilimitados, e as três os limitam — a diferença está em quanta informação lhe dão sobre isso.

A Airalo publica uma política clara: acima de 3 GB num dia, a velocidade desce para 1 Mbps até ao dia seguinte, e o limite reinicia diariamente. Diz também, expressamente, que “não há limite ao tethering nem ao número de dispositivos ligados”. A Saily é igualmente concreta e varia por destino: 5 GB por dia nos Estados Unidos, Japão e Tailândia, 3 GB por dia na Europa e no Brasil, sempre com redução para 1 Mbps depois disso, e hotspot sem restrições.

A Holafly é o caso diferente. As páginas de destino falam de uma “política de uso justo” aplicada pelos operadores locais “por não mais do que um dia”, e a cláusula 6.3 dos termos e condições limita-se a dizer que a velocidade “pode estar sujeita à política de uso justo do fornecedor de rede”. Não há um número em lado nenhum — nem gigabytes por dia, nem velocidade após o corte. Em contrapartida, a Holafly é a única que assume por escrito um limite de partilha: 1 GB por dia para hotspot. Historicamente proibia a partilha por completo, portanto é uma melhoria — mas continua a ser a mais restritiva das três nesse ponto, e é decisivo se pretende ligar um portátil ou partilhar com a família.

A escada de preços

Uma nota necessária sobre estes números: as três empresas mostram os preços na moeda do país de onde acede. Os valores abaixo foram lidos em dólares americanos a 10 de setembro de 2026 e servem para comparar a estrutura das ofertas entre si. Quando abrir os sites a partir de Portugal, verá valores em euros — confirme sempre no site antes de pagar.

Destino (planos ilimitados)Airalo 7 diasHolafly 7 diasSaily 15 dias
Europa27,00 US$27,50 US$49,99 US$
Estados Unidos25,00 US$27,50 US$45,99 US$
Japão26,50 US$27,50 US$48,99 US$
Brasil25,00 US$27,90 US$48,99 US$
Turquia24,50 US$—48,99 US$
Tailândia21,00 US$—38,99 US$
Marrocos35,00 US$—48,99 US$
Preços em dólares americanos lidos nos sites a 10 de setembro de 2026. Aceda a partir de Portugal para ver os valores em euros.

Para quem não precisa de ilimitado — e a maioria não precisa —, a Saily tem a escada por GB mais barata das três: nos Estados Unidos, 3 GB por 30 dias a 8,99 US$ e 10 GB a 22,99 US$; na Tailândia, 5 GB a 7,99 US$. A Airalo cobre mais destinos e tem o pacote regional europeu mais completo (41 países no Eurolink). A Nomad, uma quarta opção, vende por preço-por-GB explícito — a partir de 0,70 US$/GB na Europa — mas o seu plano “ilimitado” corta aos 2 GB por dia, o mais apertado do grupo.

O erro que estraga férias: os SMS do banco

Este é o ponto mais importante deste guia e o que menos aparece escrito.

Nenhum eSIM de viagem — Airalo, Holafly, Saily ou Nomad — lhe dá um número de telefone. São ligações de dados e nada mais. Isto significa que os códigos SMS de autenticação do seu banco, do MB WAY ou da Autoridade Tributária continuam a ser enviados para o seu número português, e só chegam se o cartão português continuar ativo para chamadas e SMS.

A configuração correta, em dois passos:

  1. Mantenha o cartão português ligado (voz e SMS), mas desligue-lhe os dados em roaming. Assim continua a receber SMS e chamadas sem gastar nada em dados.
  2. Defina o eSIM de viagem como linha de dados por defeito.

No iPhone: Definições › Dados móveis › escolher a linha e desativar “Dados em roaming”; depois “Dados móveis” › selecionar o eSIM. No Android: Definições › Rede e Internet › SIM › escolher o SIM preferido para dados.

Falta a parte do custo. Dentro do Espaço Económico Europeu e do Reino Unido, receber chamadas e SMS é gratuito — a folha de preços da MEO de janeiro de 2026 confirma-o para a Zona 1. Fora dessa zona, receber chamadas passa a ser pago, com valores que variam muito por país. Receber SMS costuma manter-se gratuito, mas as operadoras não o garantem por escrito para todos os destinos. Ou seja: mantendo o cartão português apenas para SMS, o custo tende a ser nulo; se lhe telefonarem para o número português enquanto está no Japão, isso paga-se.

Já o WhatsApp continua a funcionar normalmente pelos dados do eSIM, porque está associado ao número com que foi registado e não ao cartão que transporta os dados. O mesmo vale para o Signal, o Telegram e as chamadas de vídeo.

O seu telemóvel aceita eSIM?

O teste mais rápido: marque *#06# no teclado do telefone. Se aparecer um EID ao lado do IMEI, o aparelho suporta eSIM.

  • iPhone: a partir do iPhone XS, XS Max e XR (2018). Todos os modelos posteriores suportam.
  • Samsung Galaxy: a partir da série S20 (2020), mais o Note 20, todos os Z Fold e Z Flip e alguns modelos da série A (A35, A55 5G, A56 5G, A36 5G).
  • Google Pixel: a partir do Pixel 3.
  • Outros: Motorola Razr 2019+ e Edge 2022+, OnePlus 11 e posteriores, Huawei P40, Oppo Find X3 Pro, Nothing Phone 3a.

Há duas armadilhas que apanham muita gente:

  • Telemóveis bloqueados à operadora. A Apple é explícita: para usar dois operadores, o iPhone tem de estar desbloqueado. Se comprou o telemóvel com um contrato e ele ainda está bloqueado à MEO, NOS ou Vodafone, não vai conseguir usar um eSIM de viagem em paralelo. Peça o desbloqueio à operadora antes de viajar — é gratuito findo o período de fidelização.
  • Telemóveis comprados na China, Hong Kong ou Macau. Na China continental, praticamente nenhum iPhone tem eSIM — a Apple confirma que só o iPhone Air e o 17e o suportam ali. Os modelos de Hong Kong e Macau trocam o eSIM por uma segunda gaveta de cartão físico. Vários OnePlus e alguns Samsung vendidos nesses mercados também não têm eSIM. É um risco real em importações e em telemóveis comprados em viagem.

Como instalar, passo a passo

Faça-o em casa, com Wi-Fi, antes de viajar. Instalar não é o mesmo que ativar: na maioria dos casos o plano só começa a contar quando o telemóvel se liga a uma rede no destino.

  1. Compre pela aplicação da Airalo, Holafly ou Saily. É mais simples do que pelo site, porque instala o perfil diretamente, sem QR code nem segundo ecrã.
  2. Se receber um QR code, precisa de um segundo ecrã para o mostrar. No iPhone: Definições › Dados móveis › Adicionar eSIM › Usar código QR. No Android: Definições › Rede e Internet › SIM › Adicionar eSIM.
  3. Dê nomes às linhas — “Portugal” e “Viagem” — para não se enganar depois.
  4. Configure conforme a caixa acima: português para voz e SMS com dados desligados, eSIM para dados.
  5. À chegada, ative o roaming de dados na linha do eSIM (é contraintuitivo, mas é necessário para o eSIM se ligar à rede local) e confirme que a linha portuguesa continua com os dados desligados.

Duas notas finais de mecânica: a Saily dá 180 dias para ativar um plano comprado, o que permite comprar com antecedência sem pressa; e a maioria dos operadores só permite três tentativas de leitura do QR code, pelo que convém não andar a experimentar.

Cartão SIM e eSIM grátis em Portugal

Assunto vizinho e útil, sobretudo para quem recebe visitas ou quer um segundo número: quase todas as operadoras portuguesas oferecem o cartão e a conversão para eSIM.

OperadoraCartão físicoeSIMNotas
MEOGrátisGrátis (clientes)Ativação dá 1 GB + 500 min/SMS no pré-pago
NOSGrátis, entrega em 48hGrátisCobra 4,99 € na adesão, devolvidos na primeira fatura
VodafoneGrátis, entrega grátisGrátis online, 2,71 € em lojaSem saldo inicial; é preciso carregar
WOOGrátis, 3–5 dias úteisGrátis, ativo em ~3 minutosBasta documento de identificação
YornGrátisGrátisOferta limitada a novos clientes com menos de 35 anos
DIGI10 €, convertidos em saldoGrátis, novos e atuais clientesAceita passaporte como identificação
Lyca MobileGrátis, entrega grátisDisponívelCondições pouco detalhadas no site
UZOGrátisGrátis, por QR code no emailVia portal do cliente ou app MY UZO
Condições consultadas nos sites das operadoras a 10 de setembro de 2026.

Dois avisos. O primeiro: a oferta da Yorn está limitada a novos clientes com menos de 35 anos e a um número de Cartão de Cidadão ainda não usado num plano Yorn — não é uma oferta aberta a toda a gente, apesar de assim parecer. O segundo: para turistas e visitantes, a DIGI é a que dá menos problemas, porque aceita expressamente passaporte, título de residência ou bilhete de identidade como documento. Nas restantes, a exigência de Cartão de Cidadão e NIF pode complicar — nenhuma operadora publica uma regra de residência, mas nenhuma confirma tampouco que aceita não residentes, pelo que convém perguntar antes.

Então, o que escolher?

  • Viagem na Europa, Reino Unido, Ucrânia ou Moldávia — não compre nada. Confirme o plafond e viaje.
  • Suíça ou Andorra — pacote da operadora ou eSIM regional que as inclua. Sem isso, os dados são proibitivos.
  • Uma ou duas semanas fora da Europa, consumo normal — o pacote da sua operadora tende a ganhar. Compare-o antes de tudo o resto; se for cliente do N26 ou da Revolut, veja também o eSIM do banco.
  • Muitos dados, ou vários países numa viagem — aqui os eSIM ganham. Saily para o melhor preço por GB, Airalo para a maior cobertura e para o pacote europeu mais completo.
  • Vai partilhar internet com o portátil ou com a família — Airalo ou Saily. O limite de 1 GB por dia da Holafly não chega.
  • Quer não pensar no assunto — plano ilimitado da Holafly, aceitando que não sabe qual é o limite real, ou a tarifa diária da Vodafone a 4,90 €/dia se a viagem for curta.

Perguntas frequentes

Preciso de eSIM para viajar na Europa?

Não. O regulamento europeu de roaming, em vigor até 30 de junho de 2032, permite usar o plafond do tarifário português nos 27 países da UE, na Islândia, Noruega e Listenstaine e, desde 1 de janeiro de 2026, também na Ucrânia e Moldávia, sem custos adicionais. A MEO, a NOS e a Vodafone incluem ainda o Reino Unido por decisão comercial. As exceções que obrigam a pagar são a Suíça e Andorra.

Qual é o melhor eSIM para viajar em 2026?

Depende do consumo. Para o preço por gigabyte mais baixo, a Saily. Para a maior cobertura e o pacote europeu mais completo, a Airalo. Para não pensar em plafonds, a Holafly, aceitando que não publica o limite diário de utilização razoável. Mas antes de qualquer eSIM, compare com o pacote da sua operadora: a NOS vende 50 GB por 30 dias a 40 € em 47 países e a Vodafone dava 15 GB por 10 € nos Estados Unidos no teste da DECO de junho de 2026.

O eSIM de viagem dá-me um número de telefone?

Não. A Airalo, a Holafly, a Saily e a Nomad vendem apenas dados. Não recebe chamadas nem SMS nesse eSIM, e por isso não pode usá-lo para receber códigos de autenticação. Para chamadas, usa aplicações como o WhatsApp através dos dados. Alguns pacotes de operadoras portuguesas, esses, mantêm o seu número português a funcionar.

Continuo a receber os SMS do banco com um eSIM de viagem?

Sim, desde que mantenha o cartão português ativo para voz e SMS. A configuração correta é manter a linha portuguesa ligada mas com os dados em roaming desativados, e definir o eSIM de viagem como linha de dados. Dentro do Espaço Económico Europeu e do Reino Unido, receber SMS e chamadas é gratuito; fora dessa zona, receber chamadas passa a ser pago, com preços que variam por país.

O que significa “dados ilimitados” num eSIM?

Significa sem limite de volume, mas com redução de velocidade a partir de um consumo diário. A Airalo publica 3 GB por dia, depois 1 Mbps. A Saily publica 3 a 5 GB por dia conforme o destino, depois 1 Mbps. A Holafly não publica limite nenhum, nem nas páginas de produto nem nos termos e condições — refere apenas uma política de uso justo aplicada pelos operadores locais.

Posso partilhar a internet do eSIM com outro aparelho?

Com a Airalo e a Saily sim, sem limite de dados partilhados nem de dispositivos ligados. A Holafly limita a partilha a 1 GB por dia — historicamente proibia-a por completo. Se pretende ligar um portátil ou partilhar com a família, é o critério que deve decidir a escolha.

Que telemóveis suportam eSIM?

Marque *#06# no teclado do telefone: se aparecer um EID ao lado do IMEI, o aparelho suporta eSIM. Em iPhone, a partir do XS, XS Max e XR de 2018. Em Samsung, a partir da série S20. Em Google Pixel, a partir do Pixel 3. Atenção a dois casos: telemóveis ainda bloqueados a uma operadora não aceitam um segundo perfil, e praticamente nenhum iPhone vendido na China continental tem eSIM.

Quanto custa usar o telemóvel na Suíça?

Muito, se não levar pacote. A Suíça está fora da zona de roaming europeu e é excluída por todas as operadoras portuguesas. Sem pacote, a Vodafone cobra 4 cêntimos por megabyte, cerca de 40 € por gigabyte. A mesma operadora vende um pacote de 5 GB por 12 € durante uma semana para a Suíça e de 10 GB por 20 € por semana para Andorra. Um eSIM regional que inclua a Suíça é a outra alternativa.

Quantos gigabytes tenho garantidos em roaming na Europa?

Pelo menos o dobro do que resulta de dividir o preço mensal do tarifário sem IVA pelo preço grossista regulado, que em 2026 é de 1,10 € por gigabyte. Num tarifário de 15 € por mês, cerca de 22 GB. Se o plafond nacional for menor do que esse valor, leva-o inteiro. Este limite só pode ser aplicado a tarifários ilimitados ou com muitos dados por pouco dinheiro.

Como se pede um cartão SIM ou eSIM grátis em Portugal?

A MEO, a NOS, a Vodafone, a WOO, a Yorn, a Lyca e a UZO oferecem o cartão pré-pago e a conversão para eSIM sem custo, pedidos no site de cada operadora. A DIGI cobra 10 € pelo cartão físico mas converte esse valor em saldo, e oferece o eSIM. Na Vodafone, a conversão para eSIM é gratuita online mas custa 2,71 € em loja. A oferta da Yorn está limitada a novos clientes com menos de 35 anos.

Leia também

Fontes

Preços, planos e condições verificados a 10 de setembro de 2026. Os preços dos operadores de eSIM foram lidos em dólares americanos e são apresentados como tal: estas empresas mostram a moeda do país de onde acede, pelo que verá valores em euros ao aceder a partir de Portugal — confirme sempre antes de pagar. As condições de roaming das operadoras portuguesas, incluindo a inclusão do Reino Unido, são comerciais e podem mudar. Este guia é informativo: não vendemos comunicações e, à data de publicação, não recebemos comissões de nenhuma das empresas mencionadas. Se isso mudar, será indicado aqui.